sábado, 12 de maio de 2012

Cores

Em Nova York, tudo é grande, diverso, múltiplo. Apelos e atrações há por todo lado, para todos os gostos.  Para quem se interessa por comida e gastronomia são incontáveis os lugares e ambientes que excitam a imaginação e os sentidos. Antes mesmo de mencionar os restaurantes ou as incríveis lojas de utensílios, aparatos e aparelhos de cozinha, vale a pena olhar e, se possível, cheirar, provar e sentir seus mercados.

Uma primeira e brevíssima amostra de duas referências novaiorquinas: o tradicional Dean & Deluca, do Soho e o mais recente (e imenso) Eataly, inaugurado em 2010, no Flatiron District. Os dois espaços disputam, em primeiro plano, os gourmets e os turistas que, como eu, devem ficar fascinados com os vegetais, pães, massas, queijos, frutos do mar, temperos, azeites, além das comidas ali preparadas. Em destaque aqui as cores e o frescor dos vegetais.

terça-feira, 1 de maio de 2012

A refeição que nunca consegui esquecer

Uma importante revista de gastronomia manteve, por muito tempo, uma seção na qual perguntava a pessoas de destaque qual a comida que haviam provado e nunca mais esquecido. Lembro de ler com frequência essa tal seção e pensar sobre a resposta que eu poderia dar. 

Como quase todo mundo, tenho muitas lembranças familiares ligadas à comida. Minha avó paterna foi grande doceira,  ela fazia quindins, papos de anjo, rabanadas, o pudim "getúlio" e, em ocasiões muito especiais, sua famosa "lampreia", um doce português de ovos, muito trabalhoso e que tinha o formato do peixe-cobra (a lampreia propriamente dita). Minha mãe fazia bolinhos de bacalhau crocantes que se desmanchavam quando eram mordidos. Lembro também de um delicioso bolo de laranja feito por minha madrinha que era 'molhadinho" por dentro.

Claro que, para além das comidas familiares, houve o prazer experimentado em muitos restaurantes. Não esqueço, por exemplo, do primeiro brunch que conheci. Meu companheiro e eu recém tínhamos aterrisado em San Francisco, na California, e pegado o carro que havíamos alugado. Era um domingo ensolarado. Cansados da viagem e ainda um tanto temerosos com o carro novo, vimos um cartaz que anunciava "all you can eat for U$ 15". Entramos no restaurante e me deparei com algo que me pareceu uma "orgia" alimentar:  "ilhas" de pães, de massas, de rosbifes, frutas, patês, etc. etc. Fiquei absolutamente encantada! Posso assegurar que todos os outros brunchs que provei na vida e aqueles que mais tarde eu mesma preparei jamais conseguiram chegar perto desse, o primeiro que experimentei.

Também houve um tempo em que morei em São Paulo e, dependendo do grupo de amigos e das disponibilidades econômicas, íamos dos botecos do Bexiga até alguns restaurantes um tanto metidos dos Jardins. Desses muitos lugares ficaram lembranças que, por certo, não se resumem à comida e à bebida provadas, mas têm a ver com as pessoas que rodeavam a mesa, com o humor, as conversas e as questões que naquele momento nos mobilizavam. 

E, ainda que eu me lembre de tantos encontros e pratos deliciosos, sempre que me disponho a responder à questão da revista me vem à mente uma mesma comida: um sanduíche de pernil que provei em São João Del Rei. Isso mesmo. Simples assim, banal até: um sanduiche preparado num bar que "devorei" com imenso prazer.  Fartas lascas de pernil, muito bem temperadas por um molho não sei de que, envolvidas por um pão novinho e crocante mais uma cerveja gelada. Por certo ao tempero do pernil (que era mesmo muito bom) se juntavam a satisfação de ter cumprido com sucesso mais de seis horas de viagem (boa parte delas com forte neblina) na direção do meu carro de São Paulo até ali, carregando mais dois amigos, e a minha fome que, a essa altura, era enorme. Não sei o nome do bar ou boteco, mas sei que o sanduíche era generoso. Eu via pela primeira vez aquela cidade, era jovem e, naquele momento, me sentia "poderosa". 

Gostaria de dar uma resposta mais sofisticada à pergunta, mas efetivamente essa é a refeição que nunca consegui esquecer.

domingo, 29 de abril de 2012

Massa com cogumelos secos

Um almoço simples, para duas pessoas. Nada de aparato nem de preparo demorado. A ideia era aproveitar uns cogumelos secos que eu havia comprado no mercado.  A refeição seria uma massa com molho de cogumelos.

Os ingredientes:
meio pacote de massa (escolhi farfale, mas poderia ser qualquer tipo)
100 gramas de cogumelos secos
1 pacote de creme de leite
queijo parmesão 

Não tenho prática em preparar cogumelos secos. Consultando receitas, observei que diziam que bastava hidratá-los e, a seguir, usar tal como se usa os cogumelos naturais. No entanto, eu queria muito evitar alguns problemas: a sensação de estar comendo "borracha" (quando os cogumelos ficam encharcados de água) ou, o que talvez seja pior, de que há areia misturada no prato.

Inicialmente eu lavei bem os cogumelos e deixei-os numa vasilha com água por cerca de duas horas e meia. No momento de preparar o molho, despejei um pouco de azeite de oliva extra-virgem numa frigideira, esperei ficar quente e coloquei os cogumelos muito bem escorridos (apertei-os para tirar o excesso de água, mas deixei essa água reservada, caso precisasse depois). Depois de passar um pouco os cogumelos no azeite, desliguei o fogo e juntei o pacote de creme de leite, misturando bem. Notei que o molho tinha ficado espesso demais, então adicionei um pouquinho da água antes escorrida dos cogumelos. Acho que isso fez diferença. Não eram mais cogumelos encharcados de água, pois eles já estavam de certo modo "selados"; a função da água era apenas dar uma diluída no creme de leite. Temperei então com sal e pimenta o molho.

A massa obviamente foi feita como sempre, colocada na água fervente com sal o tempo suficiente para ficar "al dente". Misturei depois a massa ao molho (e não o molho à massa),  isso pode parecer banal, mas desse modo se aproveita muito mais do molho. Para servir coloquei parmesão em lascas.

  

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Uma surpresa no centro de Porto Alegre

Costumo ser uma viajante interessada. Quando saio de minha cidade, geralmente sei antecipadamente uma porção de coisas sobre meu destino: pesquiso lugares na internet, peço dicas para amigos que já estiveram por lá, anoto endereços de restaurantes, lugares especiais, lojinhas descoladas, etc. Mas, como muita gente, por vezes sou desatenta em relação à minha própria cidade. Talvez porque penso que se não der para conhecer hoje irei outro dia em tal lugar que ouvi falar que é curioso, ou atraente, ou que é, por alguma razão, imperdível.

Esse foi o caso com Del Barbieri, no centro de Porto Alegre. A graça do lugar está no fato de ser um pequeno café/bistrô ligado a uma antiga barbearia (a Elegante, que existe desde 1947). Pode parecer estranha essa combinação, mas garanto que funciona e o lugar é encantador. Um projeto arquitetônico que explorou o charme dos anos 50 conseguiu integrar os dois espaços e, ao mesmo tempo, dividi-los.   Não vou falar sobre o ambiente, pois vale a pena acessar o site do bistrô, antes de ir até lá. Há muitas imagens, um pouco da história e também o menu diário que é alterado mensalmente.


Cheguei sem reserva, o que é geralmente um problema. Mas, como estava sozinha, consegui um lugar no balcão, enquanto uma das reservas era aguardada. O clima do lugar me pareceu intimista e familiar: havia muitos clientes regulares e o chef, Marcelo Schambeck, é filho do dono da barbearia, então, enquanto o pai corta cabelos, ele cozinha e supervisiona os poucos auxiliares. 


O esquema é o de "menu confiança". Naquele dia, a entrada era caldinho de feijão com crispy de couve e o prato principal, filé grelhado com provolone, quiabo defumado e farofinha de cebola. Eu, que, por puro preconceito, nunca tinha provado quiabo em minha vida, adorei: achei crocante, bem temperado, delicioso!
Como sobremesa, escolhi um pudim de leite com calda de bergamota. 



Aos sábados, o cardápio é uma surpresa pois depende do que o chef encontrar na feira ecológica da Redenção.
Sem dúvida um lugar que merece ser visitado por portoalegrenses, forasteiros e turistas.

sábado, 21 de abril de 2012

Um pudim delicioso

Muitas pessoas quando convidadas para um jantar ou um almoço costumam trazer uma  garrafa de vinho ou uma caixa de bombons como gesto de atenção e agradecimento. Mas meu amigo Sérgio, dublê de professor e ator, construiu uma nova "tradição": traz um pudim de iogurte, preparado por ele mesmo que é o maior sucesso. Generoso, ele conta a receita que também já ensaiei.
 O pudim é "leve", super fácil de preparar e "faz presença" (além de poder ser saboreado sem culpa ou, pelo menos, com pouca culpa).

Ingredientes:
3 potes de iogurte natural
1 caixa (ou 1 lata) de leite condensado
Açúcar para caramelizar

Modo de fazer:
Misturar no liquidificador o iogurte e o leite condensado. Despejar a mistura numa forma de pudim previamente caramelizada. Colocar no forno, em banho-maria, por 30 minutos. Retirar do forno, esperar esfriar naturalmente e após colocar no refrigerador por algumas horas. É importante retirar do forno aos trinta minutos, salienta o Sérgio, ainda que a aparência do pudim seja um tanto líquida, ele vai ganhar consistência depois, no refrigerador. 


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Receber com afeto

Se para receber com charme as dicas organizadas num livro são interessantes e oportunas (cf post anterior), para receber com afeto só precisa mesmo disso, do afeto.

Uma querida amiga me surpreendeu ontem com um jantar pleno de afeto: carinhosamente, preparou todas as receitas deste blog e me fez prová-las. Fez isso com a cumplicidade de outros amigos e me deixou encantada!

É indispensável dizer que o charme também estava presente (obviamente ele não se contradiz ao afeto) e tudo o que me parece fundamental numa "boa mesa" aconteceu: comida e bebida saborosas compartilhadas numa parceria autêntica, conversa solta e espontânea, muitas histórias, riso e amizade. Valeu!


Para conferir, aí vai uma 'panorâmica' da mesa, antes de nos lançarmos a ela.


"Receber com charme"

Para quem gosta de reunir amigos, ter gente por perto, inventar encontros e, além do mais, fazer tudo isso com graça e bossa, a dica é Receber com charme. O livro é um achado! Efetivamente "entrega" o que promete: "ideias bacanas de decoração, comidas e bebidas para fazer em casa".

Magnificamente ilustrado, traz fotos de muito bom gosto, que incitam a criatividade e dão água na boca. Reunindo uma série de matérias da revista Casa e comida, a publicação da Editora Globo apresenta  mil sugestões para preparar a casa e a mesa para as mais variadas ocasiões. Desde o "básico" churrasco (e quem disse que churrasco é refeição banal?) até as festas de fim de ano mais requintadas, passando por brunchs e happy-hours, almoços e jantares "étnicos", festas na varanda, chás, festas infantis, tudo aparece aqui com um charme especial.  Renova-se o já visto, reinventam-se objetos, criam-se cenários inimagináveis, adicionam-se pitadas de sofisticação e elegância no que parecia comum ou óbvio.

A proposta de "Minha casa, nosso boteco", por exemplo, é criar um clima de botequim, oferecendo aos amigos algumas das típicas comidinhas de bar junto com ingredientes e receitas para caipirinhas e outros drinques bem cotados. O convite a aventurar-se como barman ou barwoman fica mais atraente. 

 Para colocar "Charme na Brasa", uma série de sugestões, entre elas esta divertida forma de apresentar os talheres. Simples e funcional!


Vale dizer que o livro traz inúmeras receitas de comidas e bebidas, não se limitando aos arranjos das mesas, à disposição de aparadores ou à decoração. Mas seja como for, ou melhor, seja o que for preparado não se abandona nunca a proposta de fazê-lo com charme. Como este arroz tailandês em tigelinhas individuais, decoradas com um raminho de hortelã: